Primeiro foi Livânia Farias. Depois, veio Waldson de Souza. Na sequência, Gilberto Carneiro. Também Aracilba Rocha. Agora, Ivan Burity e Aléssio Trindade. Todos eles com algo em comum: foram do núcleo duro no governo Ricardo Coutinho, e quase todos impostos pelo ex-governador, praticamente de goela abaixo, para serem mantidos pelo governador João Azevedo.

Livânia era da Administração, mas também foi procuradora-geral. Era da mais estrita confiança. Claro, de Ricardo Coutinho. Waldson de Souza, não apenas pela aparência quase um clone do chefe, sempre foi um dos homens de ouro dele. Foi da Saúde e, ultimamente, no Planejamento. Foi flagrado num áudio devastador com Gilberto Carneiro. Licitações no governo… Ricardo Coutinho.

Waldson também foi coordenador da campanha de João, Veneziano Vital do Rego e Luís Couto, em 2018. Campanha que, segundo Michele Louzada Cardoso, secretária do cabeça da organização criminosa, Daniel Gomes da Silva, foi irrigada com dinheiro desviado da Cruz Vermelha gaúcha. Ela mesma veio a João Pessoa deixar o dinheiro para a campanha, coordenada por Waldson e tocada por… Ricardo Coutinho.

Gilberto vem com Ricardo Coutinho desde aonde a vista alcança. Começou na prefeitura de João Pessoa, como secretário de Administração, onde se envolveu no caso Desk, no qual foi condenado a cinco anos de prisão por falsificação de documentos. É considerado um operador hábil junto ao Judiciário. Foi flagrado pela Calvário, sofreu busca e apreensão e está envolvido em vários outros inquéritos, por traquinagens cometidas durante o governo… Ricardo Coutinho.

Aracilba, que foi da secretaria de Finanças, surge nas investigações do caso Propinoduto, apontada pelo Gaeco como uma das personagens que poderiam ter agido para subtrair e destruir provas. Há suspeitas também de que teria participado da indicação da organização social Cruz Vermelha gaúcha para terceirizar o Hospital de Trauma de João Pessoa.

Aléssio Trindade era uma espécie de cristão novo. Até um tempo desses. Mas, envolveu-se, segundo as investigações, em vários casos de compras suspeitas de livros, kits e carteiras escolares. Sucedeu Afonso Scocuglia que, inclusive, até já foi condenado, desde 2015. Também pela mesma prática. Foi descoberto após comprar uma mansão em Cabedelo. E também no governo… Ricardo Coutinho.

Ivan Burity, do Desenvolvimento, é conhecido na praça como captador de recursos para campanhas eleitorais. Mas, conforme as investigações apontam, também se envolveu em compras fraudulentas. Foi alvejado em pleno voo. É atribuído a ele o carreto aéreo de dinheiro em espécie de Curitiba (olha que ironia), algo como R$ 1,2 milhões. Também para campanhas eleitorais de… Ricardo Coutinho.

E ele não sabia de nada?