São cada vez mais insistentes os comentários nos bastidores jurídicos, indicando que a ex-secretária Livânia Farias, em sua delação premiada, pode não ter dito tudo que sabe sobre a organização criminosa infiltrada na Cruz Vermelha gaúcha, e que foi (quase totalmente) desbaratada pela Operação Calvário. Sussurros nos bastidores parecem indicar que Livânia não teria entregue todos os nomes envolvidos, inclusive chefes acima.

As suspeitas se intensificaram, nos últimos tempos, ante a constatação de que, passados seis meses de sua liberdade, após ter acertado uma delação premiada, nada mais aconteceu na Calvário. Ressalvando o caso Propinoduto, que estava adormecido desde 2011, nada mais ocorreu. Se nada mais ocorreu, então é de se presumir que o Gaeco e Justiça não teriam mais elementos para desencadear uma nova ação.

Aliás, meu caro Paiakan, é melhor raciocinar assim, do que imaginar que o Gaeco e Justiça teriam os tais elementos e, por uma razão insondável, não teriam agido até o momento. É essa “razão insondável”, aliás, que vem desgastando a imagem da operação aos olhos da população, que espera por um desfecho. Afinal, é difícil imaginar que Livânia era a líder do esquema e que agiu só e sem o conhecimento de outros figurões.

Então, resta a indagação: e se Livânia não disse tudo? Delação pela metade não poderia prejudicar os benefícios que ela obteve quando fez a colaboração? Sinais vindos do Rio de Janeiro parecem indicar que Livânia teria mais a dizer. Mas, meu caro Paiakan, o que seria exatamente?