Os pais de 130 alunos da rede estadual de ensino selecionados pelo programa Gira Mundo para intercâmbio no Canadá estão impacientes. O embarque dos jovens deveria ter ocorrido no mês passado, mas foi adiado para fevereiro do ano que vem. No centro da crise está a agência 2G Turismo, uma antiga conhecida do programa, na Paraíba. Ela foi proibida de fazer convênios com o país da América do Norte por causa de um calote de 2 milhões de dólares canadenses.

O calote foi dado em convênios com o governo de Pernambuco. Não inclui a Paraíba, mas gerou efeitos negativos por aqui também. A empresa é a mesma que, no ano passado, participou e venceu certame para levar estudantes paraibanos para Portugal. O primeiro grupo enfrentou muitos problemas no país europeu e o segundo sequer chegou a embarcar. A Secretaria de Educação do Estado precisou buscar vias alternativas para beneficiar os alunos inscritos.

O coordenador do programa Gira Mundo, Túlio Serrano, reconhece que houve problemas na escolha da empresa para o edital deste ano. A 2G Turismo participou da seleção para o contrato referente ao Canadá, sem que o governo da Paraíba tivesse conhecimento dos problemas dela em relação aos contratos de Pernambuco. Houve contestações no edital e, segundo Serrano, a empresa não será contratada. A segunda colocada é que ficará responsável por levar os jovens para o Canadá.

Serrano explicou que a 2G Turismo poderá ser classificada como empresa inidônea e, com isso, ser impedida de contratar com a Paraíba. As contestações ocorridas durante o certamente provocaram atraso na seleção. Por isso, o embarque foi retardado. Como os convênios são de seis meses e obedecem o calendário letivo dos países do convênio, o embarque dos 130 jovens deve ficar para fevereiro do ano que vem.

Vários pais têm externado insatisfação com o problema. Muitos alegam que fizeram empréstimo para adquirir vestimentas para que os jovens com idades entre 14 e 15 anos possam encarar o frio de 30 graus negativos. Serrano, por outro lado, diz que esse não é um problema real. O governo do Estado, ele reforça, destina uma bolsa para que os estudantes comprem roupas de frio ao chegar no Canadá.

O programa faz uma seleção com mais de 5 mil alunos que, fase após fase, são eliminados até restarem os 130 aprovados. Os selecionados vão para os países indicados no edital e permanecem no intercâmbio por seis meses. O programa visa dar a oportunidade a estudantes da rede pública de se familiarizarem com outra língua.